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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

sábado, 7 de março de 2015

"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente"



Fingindo ou não
Poeto o coração
Escrever é sina
Amar é bem.

Necessidade sim.

Parca justiça
Medida de ricos
Riscos aos pobres
Morte nordestinos.

Por coisas poucas
Matam-se crianças
Abafa a esperança.

Roubos ridículos,
Desafeto aos nordestinos.

Conversa de amigas

- O que você tem, minha querida? A professora perguntou à aluna mais velha academicamente.
Em especial naquela noite, diferente das outras aulas de Literatura, estava ela com um olhar meio perdido, assim triste.

- Ando me achando tão boba, sabe?
A professora tinha no rosto uma expressão nada afirmativa. Podia-se ver o ponto de interrogação exclamado em sua face. A mulher continuava:
- Depois que comecei a fazer Letras, eu me emociono mais do que o meu normal que já era muito. Chorei, mas de soluçar mesmo, no Museu da Língua Portuguesa... Me achei ridícula! Mas aquele tanto de letras de poemas dançando na minha frente me emocionaram... ando me achando bem boboca.

- Ah minha querida! Isso é coisa de artista! Só chora no Museu quem pode, não é todo mundo que entende a beleza das palavras, a emoção de um fazer poético, o amor enfim. Minha cara, você está aqui construindo um novo olhar, automaticamente, um novo sentir, é outro nível. Jamais se sinta menos por ser tão grandiosa de alma.



Obrigada, mestre Claudinha, com toda admiração para sempre!

Revólver


Eu quis lhe matar
e assim, meu sentimento.
Queria lhe matar de próprio punho
ver sua cara de arrependimento.

Eu queria lhe bater,
esmurrar seu rosto.
Acabar por esquecer
toda a mentira que me fez viver.

Quebrar suas pernas,
desfigurar seus dentes
pra ver se você aprende
como se trata gente.

Lamaçal no deserto

o fogo apagou
a chuva caiu
Não tem mais José
Inês foi embora.

o primeiro sumiu
a segunda morreu
formo amanhã:
Deus é mais.

O ano acabou
no meio do mato
gosto de amar
malas prontas.

Se tem que partir
não tenho graça
só pago adiantado
trabalhar fez bem.

Orkut

Alisa cabelo
penteia, prende
solta, joga pro lado.
Passa maquiagem,
pega câmera
bate uma assim
outra assado
de cabeça pra baixo
meio de lado.
11, 15 fotos.
Liga USB
copia pro PC.
Vê, passa no programa
recorta, arruma imagem,
constrói uma persona,
usa máscara, mente
desmente, copia um texto ali
mexe nos amigos, chama, adiciona
e está só, sozinha, minimundo
Seja bem vinda!

Pontos de vista

Meu ponto de vista é cego
Contraria a maledicência
entra em um mundo fantástico
da realidade.

Ele é extremamente realista, isso sim.
Não sou antirromântica,
muito menos naturalista...
Não creio em determinismo.

Para preconceitos e assuntos adjacentes: meu ponto de vista é cego.

PIPOCA

Caso queira rir,
Gargalhe!
Zombe de minha metamorfose,
das mudanças extraordinárias
sentidas de forma forte, lenta,
dolorida.

Sorria para o fogo,
abane-lhe a mão
deixe-o ir.
Fique mesmo onde está
não se recicle, nem se transforme,
continue piruá.

A preferência em ser coisa inútil,
lagarta feia rastejante depende do quê?
De não querer sentir dor? Amargura?

Eu mesma prefiro o fogo que transforma
à vida sozinha sem cor e dor.

Sou pipoca.


Poeminha 2 minutos para avaliação de releitura da crônica A PIPOCA de Rubem Alves, quem se interessar, a crônica tá aqui: http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"E seu destino é ir mais longe,
tão longe, enfim, como a exata alma,
por onde se pode ser livre e isento,
sem atos além do sonho,
dono de nada."

Cecília Meireles - UM de O aeronauta.


Agora podeis tratar-me
como quiserdes.
Não sou orgulho nem vaidade
Ego, ismos, nem vontade.
Não sou trouxa alheia
Nem tenho saudade.

Sejais amenas e confiantes
Menos coisa maçante.
Sede humanas, mais amigas.
De vós, para nós.
No meu mundo não existe advérbio!
Momento esclarecido.

Sejais felizes, menos donas.
Ser companheira do nada
fortalece espírito até de
aeronauta.

05/10/2010