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sábado, 18 de junho de 2011

Note as notas amontoando mente sadia

Que coisa irritante esse RÉ menor que não se desenvolve por si próprio. Fica martelando amarelos, pintando verdes pingos de uma coisa que escorre aos fios de metal entre dedos calejados de tanto o tocar. Pus!

Seria devaneios o que a tal nota mais pretende? Ou apenas molejo de notas desconexas que voam no ar como melodia sonora para um bom entardecer?

Sem pretensão alguma, o bemol aparece querendo ajudar a mais sublime das notas. Entre acordes espantados o tom desce um pouco para a voz entrar... Era só o que me faltava: musicaram a carta que eu escrevera há tempos movida por paixão desmedida.

Vejo como o mundo fica mais mudo quando as palavras alheias saem da boca de quem não as têm. Rio de nervosa, penso mais sombreamente quando ouço letras sobrepostas em canções alheias. Isso soa tanto a hipocrisia que temo nunca mais conseguir parar o tempo.

Para completar o espanto, que por mim poderia ter parado no momento bemolístico, inseriram um MI bem redondo para finalizar o dedilhado... Justamente na parte do 'eu te odeio'.

Musicaram minha carta sem a devida permissão. Eu teria dito sim, claro. Mas agora prefiro ficar com o não. Por puro medo de um dia escreverem minha vida sem anuência uxória.